Os novos tempos demandam um novo perfil do Engenheiro de Obras

Publicado em 06/07/2023 • Média de de leitura

Nas consultorias prestadas pelo CTE (Centro de Tecnologia de Edificações), para as empresas construtoras de pequeno, médio e grande porte, nas áreas de qualidade, gerenciamento de obras e sustentabilidade, uma questão tem sido colocada de forma recorrente pelas empresas: a inadequação do perfil atual do engenheiro de obras para enfrentar o mercado aquecido.

Observa-se que, em função do crescimento acelerado das empresas, os antigos engenheiros, já capacitados, passaram a ocupar funções de gerência e direção das empresas construtoras. Sendo assim, a maioria das obras fica sob a responsabilidade dos jovens engenheiros, ainda não totalmente qualificados.

Do outro lado, observa-se um atraso na entrega das obras, uma perda da qualidade e um deslocamento dos custos de construção em relação ao INCC, base dos contratos. Isso implica em redução das margens de lucratividade das empresas incorporadoras e construtoras e pode afetar sua imagem perante os clientes e o mercado. Este cenário coloca a qualificação dos engenheiros, os prazos, os custos e a qualidade das obras, como um risco para o negócio dos incorporadores imobiliários e das empresas de prestação de serviços de engenharia e execução de obras.

A meu ver, este risco só será minimizado pela valorização da engenharia e da gestão de produção. A correta organização do canteiro de obras, a racionalização de processos de gestão, o planejamento, controle, inovação tecnológica e qualidade das obras, e o aumento da produtividade eram questões que ficavam em segundo plano, perante as atividades de incorporação e vendas. Atualmente, estas questões afetam diretamente o lucro das empresas e devem estar na agenda competitiva das incorporadoras e construtoras. Essa valorização da engenharia e da gestão da produção requer do engenheiro um perfil diferente do clássico estilo de “tocador de obras” ou do atual estilo “burocrático/administrativo”.

O novo perfil do engenheiro deve se adequar às necessidades das empresas e exige:

 

FOCO EM RESULTADOS

 

O engenheiro deve mensurar questões como custos, prazos, qualidade do produto final e grau de satisfação do cliente. A obra deve ser vista pelo engenheiro como uma unidade de negócios, uma filial da empresa que deve gerar resultados. Isso justifica a importância da visão global do engenheiro em relação ao negócio e resultados da empresa, e sua política de relacionamento com os clientes. O entendimento detalhado da contribuição do seu empreendimento, relativo às margens previstas no estudo de viabilidade, às condições contratuais, de financiamento, custos e prazos previstos, projeto, especificações e exigências do cliente, é de suma importância.

 

AÇÃO GERENCIAL

 

Com a visão sistêmica do empreendimento, o engenheiro deve concentrar suas atribuições na gestão dos maiores processos da obra: projeto e implantação do canteiro de obras; planejamento, programação e controle da obra; suprimentos de materiais e equipamentos; contratação de mão de obra e gestão de empreteiros; segurança do trabalho; controle da qualidade de materiais e processos; execução e entrega da obra. Esta característica se contrapõe ao atual papel do engenheiro, que tem consumido a maior parte de seu tempo em atividades operacionais e administrativas que não agregam valor à função e não são atividades essenciais à sua qualificação.

 

DOMÍNIO DE METODOLOGIAS DE LOGÍSTICA, PLANEJAMENTO E CONTROLE

 

Por meio destas metodologias, o engenheiro deve utilizar ferramentas que permitem projetar canteiros de obras sob a ótica da logística e planejar, programar e controlar sos serviços de execução, de forma integrada com os processos de planejamento e custos da empresa. Essa habilidade é fundamental, pois permite, além do controle gerencial do progresso físico e dos custos da obra, a tomada de ações corretivas e preventivas e a geração de indicadores de produtividade e de custos próprios da empresa, que medem seu desempenho real.

 

DOMÍNIO DOS CONCEITOS E FERRAMENTAS DA QUALIDADE, SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

 

Isso possibilita a efetiva implantação dos sistemas integrados de gestão de qualidade, segurança e meio ambiente nos canteiros de obras e a familiarização com as tecnologias de construção sustentável, que paulatinamente ganham corpo em nossos empreendimentos, envolvendo a eficiência energética, a economia de água, o conforto ambiental, a qualidade do ar, o uso de materiais reciclados, a gestão de resíduos e as práticas de responsabilidade social dentro dos canteiros.

 

GESTÃO DE CONTRATOS DE FORNECEDORES DE PROJETOS, MATERIAIS, EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS

 

A gestão possibilita o entendimento das condições contratuais dos fornecedores e a correta gestão destes contratos, do ponto de vista dos prazos e da qualidade especificada e dos custos, medições e condições de pagamento. O objetivo é trazer fornecedores como parceiros de sua obra, facilitando o diálogo e a comunicação com estes importantes stakeholders.

Escrito por

Felipe Otto

Web Developer

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